
Portugal e Mundo
Com 53% dos votos
Irlandeses dizem «Não» ao Tratado Europeu de Lisboa
Ingratos irlandeses
A habitual atitude arrogante e complacente dos eurófilos e federastas ficou bem patente nas declarações do MNE francês, Bernard Kouchner (um socialista recrutado por Sarkozy para o seu governo), no apelo ao voto no “sim” no referendo ao Tratado de Lisboa. Afirmou o sr. Kouchner que “o não seria uma atitude ingrata dos irlandeses. Seria muito perturbador se não pudéssemos contar com os irlandeses, que no passado contaram e muito com o dinheiro da União Europeia”. Descodificando: “nós damo-vos a massa e vocês dão-nos carta branca para vos governarmos como nós bem entendemos”.Um discurso exemplar que caracteriza na maravilha a ideologia contemporânea: os povos abdicam da sua soberania e da sua dignidade em troco de uns euritos de “coesão”. Se isto não é prostituição…Fosse por perderem um comissário, fosse por rejeitarem o princípio da maioria ou por perderem o direito de veto, fosse também pela crise económica que vai crescendo na Europa, a verdade é que no único país que consultou a população ficou bem à vista o fosso entre o parlamento e o país real, entre os que tentam construir certa Europa nas costas dos povos e a percepção destes de que estão a ser enganados com cantos de sereia.Gerry Adams, antigo (?) amigo dos terroristas do IRA, disse que o “não” foi uma vitória dos que pretendem uma Europa Social. E, diria eu, de um certo resquício de orgulho nacional e de espírito nacionalista numa nação independente há menos de um século e já presa das garras do monstro europeu. Em suma, uma curiosa aliança entre resistência ao liberalismo e à mundialização em curso.
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