Aviões espanhóis vão “evitar totalmente” sobrevoar as ilhas Selvagens

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Miguel Angel Moratinos, garantiu hoje, no Funchal, que os aviões militares do seu país vão “evitar totalmente” sobrevoar as ilhas Selvagens, porque reconhece a fragilidade natural daquele espaço pertencente ao território português. O assunto foi abordado no encontro que manteve com o seu homólogo português, Luís Amado, no Palácio de S. Lourenço.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português reconheceu que “de vez em quando há incidentes”, com aviões espanhóis a sobrevoarem aquelas ilhas, apesar de “há muito tempo que estar tomada a decisão” de não permiti-lo. “Quando há incidentes deste tipo, nós temos que manifestar o nosso protesto”, declarou Luís Amado. Depois de escutar estas palavras, Miguel Angel Moratinos explicou que já alertou o ministro da Defesa espanhol para “evitar totalmente” o sobrevoo das Selvagens, os quais ocorrem geralmente em voos de treino. >>>

Descrição do sítio
Este pequeno arquipélago situa-se entre a Madeira (300 Km) e o arquipélago de Canárias (150 Km) e é constituído essencialmente por duas ilhas rochosas de origem vulcânica: A Selvagem Grande a Norte, e a Selvagem pequena cerca de 18 Km a Sul. A Selvagem Grande apresenta-se como um planalto de 245 ha, a cerca de 100 m de altitude. Possui várias escarpas e algumas encostas íngremes. A Selvagem pequena, situada quase ao nível do mar, possui, para além de zonas rochosas, algumas dunas interiores. Esta ilha, bem como o ilhéu que lhe fica próximo (Ilhéu de fora) está rodeada de baixios, os quais contribuem para duplicar a sua área na maré baixa.

Importância ornitológica
Uma das mais importantes colónias de aves marinhas do Atlântico, as Selvagens são muito importantes para um vasto conjunto de espécies. No caso da Selvagem Grande são de realçar as populações de Cagarra Calonectris diomedea, de Alma-negra Bulweria bulwerii, de Pintainho Puffinus assimilis e de Roquinho Ocanodroma castro, bem como de Calcamar Pelagodroma marina. Refira-se ainda a população de Corre-caminho Anthus berthelotti canariensis aqui existente. Na Selvagem pequena, onde não existem aves terrestres salienta-se a grande colónia de Calca-mar Pelagodroma marina e a nidificação ocasional de Gaivina-rosada Sterna dougallii e de Gaivina-de-dorso-preto Sterna fuscata.

Conservação
A Selvagem Grande era alvo de expedições regulares de caça até à criação do Parque Natural, e ao estabelecimento de um posto de vigilância permanente. Em 1976, foram realizadas várias expedições de caça a esta ilha, que dizimaram a população de Cagarra Calonectris diomedea então existente, tendo sido abatidos juvenis e adultos indiscriminadamente. Desde essa data a população tem vindo a recuperar lenta, mas regularmente. Como resultado de algumas tentativas de colonização em tempos remotos, existem na ilha coelhos e ratos Mus domesticus que contribuem para alterações ao coberto vegetal ancestral. Em 2002 foi iniciado um projecto que visa a erradicação de todas as espécies introduzidas na Selvagem Grande e a recuperação do seu estado natural ancestral.
A Selvagem Pequena e Ilhéu de Fora possuem o coberto vegetal no seu estado natural. Estas Ilhas nunca sofreram a introdução de plantas ou animais, sendo verdadeiras montras do passado.
Na Selvagem Grande existe uma estação de vigilância permanente. Na Selvagem pequena existe uma outra estação de vigilância de Abril a Novembro, uma vez que durante os meses de Inverno esta Ilha é quase sempre inacessível por mar. É frequente encontrar nas duas ilhas vestígios de derrames de combustível. >>>

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