
Os oito países mais industrializados do mundo concordam com a ideia de que os países emergentes têm de ser consultados e de ser parte da solução para a crise mundial, mas quando a opção é alargar o G8 e formar um G13, surgem as vozes da oposição.
No último dia da reunião do G8, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, voltou a reforçar a importância de alargar o G8 aos países emergentes. Mas a proposta conta já com os votos contra dos Estados Unidos, do Japão e da Rússia.
Na passada segunda-feira, Sarkozy já tinha defendido a necessidade de estender o G8 ao Brasil, China, Índia, África do Sul e México, em entrevista ao jornal japonês “Yomiuri”. “Não é justo nem razoável” que apenas oito países se reunam para discutir os problemas do mundo, afirmou. Na perspectiva oposta, Washington defende o modelo actual. O Presidente norte-americano, George W. Bush, veio depois pedir a participação e o compromisso da Índia e da China na redução das alterações climáticas.
Também a chanceler alemã, Angela Merkel, não se mostrou muito predisposta a mudar o actual formato. Merkel reconheceu que “o G8 já não é suficiente para resolver alguns assuntos sozinho”, mas defendeu que o poder do G8 não deve “ser diluído”, acrescentando que o grupo tem de resolver alguns assuntos antes de integrar outros membros.
A mesma opinião tem Julius Sen, especialista da London School of Economics, que considera que “a expansão formal do G8 não vai ajudar”. “Há demasiadas rivalidades entre os países emergentes, como a Rússia e a China ou a Índia e o Paquistão, para que o processo seja pacífico e produtivo”, explicou em declarações ao Diário Económico. O especialista relembra ainda que o G8 “não é uma instituição internacional reconhecida como a ONU” e acrescenta que “deve focar-se em conseguir consensos que poderão ser utilizados pelas instituições formais”.
Garantida está apenas a participação dos emergentes na próxima reunião do G8, em 2009, na Sardenha, Itália. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou ontem que a próxima cimeira vai dedicar um dia inteiro aos países africanos e aos países emergentes que integram o G5.
Quanto às alterações climáticas, a China e a Índia ficaram de fora e não apresentaram qualquer compromisso de redução das metas das emissões de gases poluentes. Na passada terça-feira, o G8 chegou a acordo e comprometeu-se a reduzir a emissão de gases em 50% até 2050. Esta foi, por isso, a primeira vez que os países do G5 desafiaram abertamente os países desenvolvidos em relação a esta matéria. >>>